Capacitação para servidores ensina estratégias para inclusão de pessoas com TEA
Métodos sociais, comportamentais e sensoriais foram abordados durante a qualificação
Por: MICHEL PENNA MTB: 73.734 | 10/04/2026
Em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, a Prefeitura de Praia Grande vem promovendo uma série de ações que visam valorizar a neurodiversidade, combater preconceitos e promover um maior esclarecimento sobre a condição.
Entre os conteúdos propostos, uma capacitação para servidores chamou a atenção. Realizada pela Secretaria de Administração (Sead), por meio da Divisão de Treinamento e Capacitação, e pela Secretaria de Diversidade e Inclusão (Sedi), a qualificação trouxe à tona temas importantes, como estratégias sociais, comportamentais e sensoriais para inclusão de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Quem falou um pouco mais sobre isso foi a psicóloga comportamental e sócia-fundadora do Grupo de Avaliação Diagnóstica e Intervenção (GADI), Tatiana Lopes. Para ela, a utilização de metodologias como essas é crucial no trato de pessoas com TEA, facilitando o aprendizado e a comunicação das mesmas. “É um tipo de abordagem que tende a ser mais eficaz e há várias técnicas que podem ser usadas para isso, como a do reforço positivo, que visa aumentar a frequência de uma atitude desejada ao adicionar estímulos agradáveis para a pessoa ou recompensá-la após uma ação”, disse.
Também há a possibilidade de se fazer uso do chamado reforço negativo, segundo Tatiana. “Nesse caso, se faz a remoção de algo negativo para a pessoa, de algo que a incomoda por exemplo, a aliviando e a ajudando a manter o foco naquilo que se deseja – podendo até auxiliar a evitar uma possível crise. Ou seja, ambas as técnicas fortalecem condutas favoráveis e benéficas ao autista, ao contrário de punições, que apenas os reprimem ou corrigem. Por isso, não vejo uma bronca como o melhor caminho. Isso, na verdade, só fará com que a pessoa deixe de fazer aquilo pelo qual foi chamada a atenção na hora ou na frente de quem a repreendeu. Depois, a tendência é voltar a fazer a mesma coisa de antes”.
Características de uma pessoa com TEA – Já a terapeuta ocupacional e especialista em TEA, Karina Sales, ressaltou outros pontos relevantes, como as características mais comuns em autistas: a exemplo da dificuldade de socialização, da seletividade alimentar, da aversão a alguma atividade (como lavar ou cortar o cabelo), da sensibilidade ao toque, ao som ou à luz, entre outras.
“Aí é fundamental entender que isso não é proposital e sim uma resposta do organismo e do sistema nervoso deles, que muitas vezes fica sobrecarregado com a quantidade de informações e de estímulos que recebe. As chamadas crises, por exemplo, quase sempre são isso: reações involuntárias a essas sobrecargas sensoriais e emocionais. Por isso, é essencial nos atentarmos às maneiras corretas de ajudar um autista, como manter a calma, ajudá-lo a se sentir seguro, evitar reagir com gritos ou desespero, identificar possíveis gatilhos (como sons altos, luzes fortes ou outras situações desconfortáveis), e etc.”, concluiu.
