Em meio a desafios, mulheres conquistam espaço na Guarda Civil Municipal de PG

Atualmente, a corporação conta com 69 guardas femininas

Por: LUDMILA PILIPAVICIUS MTB: 29.204 | 06/03/2026

Foto: Jairo Marques

A Guarda Civil Municipal (GCM) de Praia Grande conta atualmente com 69 mulheres em seu efetivo total de 460 integrantes. Apesar de ainda serem minoria e de muitos desafios, elas vêm conquistando cada vez mais espaço e respeito dentro da corporação, motivos que devem ser exaltados às vésperas do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março.


Historicamente, a atuação de mulheres na área de Segurança Pública é razoavelmente recente, datando dos anos 1955, quando Hilda Macedo tornou-se a primeira comandante do Policiamento Especial Feminino, em São Paulo.


Em Praia Grande, a primeira turma da GCM aprovada em concurso público é de 2001 e teve apenas 27 mulheres classificadas para o cargo de um total de 272 guardas. De lá pra cá, elas foram provando que não era “sorte”. Houve muita dedicação, esforço, abdicação e vontade de estar onde estavam.


É o caso da inspetora Tatiana Fontoura, que está na corporação desde então e já passou por vários setores. “No começo, era difícil. As pessoas estranhavam ver mulheres no patrulhamento, fazendo abordagens. Mas mostramos que estávamos preparadas. Hoje, sentimos o respeito e a admiração tanto dos colegas quanto da sociedade. Isso é muito gratificante”. Hoje, ela chefia uma equipe de 11 guardas, entre eles uma mulher!


Ela conta que a jornada dupla, e às vezes até tripla, ainda é um dos principais desafios dela e de suas colegas. “Temos os plantões noturnos, por exemplo, como todos os outros guardas. Mas terminamos o turno, chegamos em casa e ainda temos as tarefas domésticas, filhos e outras demandas que temos que conciliar. Ainda assim, amo o que eu faço!”, declara com um largo sorriso no rosto.


O amor também marca a trajetória na carreira de outra guarda. No caso, o amor próprio. Tamires Souza Santos faz parte da turma mais recente da GCM, formada em 2023, e sua história pessoal foi a mola propulsora para ingressar na corporação.


Um relacionamento tóxico - triste e dura realidade de muitas mulheres - foi o que fez com que ela decidisse prestar o concurso para a GCM praia-grandense. “Eu queria conquistar minha independência financeira para sair daquela situação e consegui isso na Guarda de Praia Grande. Foi um divisor de águas”.


Tamires virou a chave, foi à luta e mudou sua vida. Tem um filho de oito anos por quem os olhos brilham e de quem fala com carinho, apesar da firmeza. Mas é por outras mulheres que ela trabalha com afinco como uma das integrantes do Grupamento Guardiã Maria da Penha, que faz o acompanhamento de vítimas de violência doméstica. “Sinto no meu coração como uma missão poder ajudar mulheres que passam por algo que eu também passei. Espero que elas também possam ter um final feliz”.


É importante destacar ainda que a GCM de Praia Grande já foi comandada por duas mulheres, Silvia Regina Delgado (2021 a 2022) e Rosana Cátia Santos da Costa (2023 a 2024), que permanecem até hoje na corporação e contribuem junto com as outras guardas femininas e mais 4 servidoras que atuam na Secretaria de Assuntos de Segurança Pública (Seasp) para que a corporação continue sendo considerada uma referência na região.