Enfermeiras são incentivadas a promover aleitamento materno

Prática é considerada a melhor forma de nutrir o bebê até os seis meses de vida

Por Pablo Solano | 17/5/2006

Apenas 35% dos bebês no mundo são alimentados exclusivamente com leite materno até os quatro primeiros meses de vida. O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para tratar da reversão desta realidade, as enfermeiras que atuam nas 6 multiclínicas e 14 Unidades de Saúde da Família (Usafas) de Praia Grande participaram de palestra com a diretoria de neonatologia do Hospital Guilherme Álvaro, a enfermeira Marta Cristina Álvares Rodrigues.

O Guilherme Álvaro é considerado pela OMS e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) como “Hospital Amigo da Criança”. A certificação é concedida para instituições que estimulam a amamentação exclusiva e imediata aos recém-nascidos.

A enfermeira Marta Rodrigues destacou que após a 2ª Guerra Mundial foi incentivado o uso do leite em pó, colocando o leite materno como ineficiente. “Foi feita uma campanha desvalorizando a amamentação. Nos anos 70 constatou-se que esta prática aumentou os índices de mortalidade infantil”.

O leite materno contém as melhores condições nutricionais, imunológicas e afetivas para ser o único alimento do bebê nos seis primeiros meses de vida e ainda como parte da nutrição até pouco mais de dois anos.

“O aleitamento não provoca sobrecarga renal ao bebê pelo nível de sais minerais. Tem a quantidade ideal de ferro. Conta também com a vantagem de as vitaminas dele não serem perdidas”, afirmou Marta Rodrigues.

Para ela, a equipe de enfermagem tem papel fundamental na promoção dessa prática entre as mães. São essas profissionais que recepcionam as mães e os bebês no Programa Saúde da Família.

A amamentação também é importante na produção de anticorpos e promove a melhoria gastro-intestinal e respiratória do bebê. Os impactos também são sentidos afetivamente. “Sem a amamentação, o vínculo entre mãe e filho não fica tão desenvolvido. Além disso, a amamentação também libera endorfina, que faz bem para a mãe”. Uma das conseqüências é a diminuição da depressão pós-parto e do intervalo entre as gestações.

A especialista ressalta a importância de se ter uma visão ampla da amamentação, que se preocupe com a saúde integral. “Com a amamentação, as crianças adoecem menos, baixando os custos do sistema de saúde. O desafio deste século é reconhecer que erramos na qualidade de mamíferos racionais e de profissionais especializados. Temos de rever constantemente nossas práticas e incorporar as trazidas pelo progresso. Somente um esforço global pode eliminar os obstáculos da amamentação”, defende a enfermeira.