Descontração no alojamento quebra rotina tensa dos jogos
Conversas, brincadeiras e filmes são utilizados para descontrair a delegação
Por Pedro Sbravatti | 14/7/2006
Atleta de basquete praticando xadrez. Enxadrista jogando futebol. Mesatenista envolvido em disputa acirrada de baralho contra os representantes do futsal e da malha. Conversas, piadas, risadas que ecoam pelos corredores e muita descontração. A rotina das cobranças por resultados nos locais de competição da 50ª edição dos Jogos Regionais é substituída pelo alegre cotidiano da Escola Estadual Walter Weiszflog, que aloja a delegação de Praia Grande. Os programas de variedades na tevê e filmes também passaram a ser opções de lazer antes e depois dos duelos que valem medalhas e pontos.
“Esse ambiente auxilia na preparação antes dos jogos. O atleta deixa de lado o estresse desses torneios rápidos, onde cada partida é uma decisão”, declarou o técnico do futsal, Daniel Tavares. “Eles brincam na hora certa e acima de tudo, com muito respeito.”
O convívio no alojamento fica ainda mais intenso quando terminam os jogos, à noite. Nesse período torna-se comum a reunião para longas conversas entre jovens e pessoas mais experientes. É nesse momento que o esporte passa a funcionar como instrumento de inclusão social.
“Temos um convívio saudável, sem nenhum tipo de problema. Pelo contrário, conversamos, nos divertimos e trocamos experiências”, disse o jogador de malha, José Antonio Puche, que leva na bagagem para Praia Grande a medalha de bronze.
Amizades - Para os mais novos, a satisfação por integrar a delegação e participar dos Regionais é evidente. Eles também destacam o prazer de fazer novas amizades. Para a enxadrista Israela Morais Kullme, de 11 anos, as vitórias ficarão guardadas na memória, mas os novos amigos também não serão esquecidos jamais. “Após os jogos, conversamos muito e acabamos fazendo novos amigos. Conhecemos muita gente. Claro que também fizemos muita bagunça no alojamento”, confessa, rindo.
A maioria dos atletas procurou gravar como pôde os momentos considerados especiais. Máquina fotográfica sempre em punho, não perdiam um lance nos dormitórios, no refeitório, nas partidas.
Pivô do time de basquete masculino, Antonio Fernandes, o Mãozinha, não perdeu uma oportunidade sequer de interagir com os demais atletas. Durante muitas noites, o atleta se tornou o “saco de pancadas” da equipe masculina de xadrez em divertidas e demoradas disputas. “Jogo xadrez e eles me convidaram para um desafio. Eles são bons, mas estou chegando lá.”
A integração também se estendeu aos atletas das modalidades para pessoas portadoras de deficiência (PPD). Como as competições têm menor duração, os grupos da natação e do atletismo permaneceram por pouco tempo no alojamento, mas o suficiente para merecerem admiração de todos.
Nos primeiros dias, quando os nadadores das provas para PPD chegavam com as medalhas conquistadas, eram aplaudidos de pé por quem estivesse no saguão da escola. “Recebemos a mesma atenção e admiração. O esporte proporciona essa igualdade. O ambiente que encontramos aqui nos fez bem”, comentou o dono da medalha de ouro no lançamento do disco PPD, Mario Ferreira de Queiroz.
Vaidade – O cotidiano das mulheres que defendem Praia Grande também chama a atenção. A vida no alojamento durante as competições faz com que a vaidade fique em segundo plano. Mesmo assim, há quem resista e mantenha, ou pelo menos tente, os hábitos e manias adotadas quando se está em casa.
“Antes de vir, procurei fazer um penteado que pudesse resistir durante esses dias. Mas o que não pode faltar de jeito nenhum é um batom e lápis para os olhos. Ah, o brinco não usamos nos jogos, mas depois...”, disse a ponta esquerda do handebol feminino, Grazielle Rocha Gomes, que fez questão de revelar o segredo do time para manter a boa aparência. “Todas nós decidimos trazer um espelho grande. A tática deu certo”, brinca.
Grazielle passou por alguns problemas em seu dormitório, compartilhado com mais 17 companheiras. “Até que conseguimos sobreviver. O grande problema está na bagunça. O grupo tem meninas organizadas e desorganizadas que entram em conflito.”
Lazer – Os técnicos procuram colocar seus atletas em regime de concentração. Desta maneira, não existe possibilidade fugas para baladas. Um passeio rápido na rua, um sorvete comprado na cantina e só. Dentro da escola, os programas de variedades e filmes na televisão também ajudaram a divertir a turma.
Algumas equipes levaram filmes em DVD e disputavam o aparelho para reprodução como se fosse uma medalha de ouro. A sessão ficava restrita ao grupo da respectiva modalidade, proibindo assim a entrada dos chamados “bicões”.
O time de futebol masculino bem que tentou criar nova opção de lazer, mas esbarrou na própria falta de atenção. O elenco trouxe televisão, vídeo game e o jogo de futebol para praticar, ainda que de forma virtual. Só não contavam com um pequeno detalhe.
“Gustavo, lateral direito, responsável pela televisão, não trouxe o controle remoto e com isso não conseguimos mudar a função do aparelho. Tanto trabalho em vão”, lamentou o reserva da posição, Rildo.
Calouros – Para determinados atletas, esta edição dos Jogos Regionais já ficará gravada na memória como o ano em que foram obrigados a servir, no que for preciso, aos veteranos. Não foram poucos os trotes, principalmente os aplicados pelas meninas do handebol e do vôlei.
“Essas brincadeiras fazem parte da história dos jogos. A prática de pintar o companheiro que participa pela primeira vez se confunde com a própria competição”, declarou o chefe da seção de esportes de rendimento da Secretaria de Juventude, Esportes e Lazer, (Sejel) Paulo Ramos.
Os calouros eram obrigados a pegar suco, tirar o prato sujo da mesa, levar água à noite para o dormitório, entre outras atividades. Os veteranos ordenavam aos gritos suas vontades, cumpridas à risca, sem reclamação.
“Sempre contarei o que aconteceu nessa minha primeira participação. Só não gostei de ser calouro. Mas tudo bem. No ano que vem, darei o troco nos novatos. Mandarei em todo mundo e terei minhas vontades atendidas”, disse o enxadrista, Rafael Menezes Junior. Apesar de ter apenas 12 anos, Rafael já começa a projetar o futuro, como o mais novo veterano da delegação de Praia Grande para os Jogos Regionais. Claro, apenas no ano que vem.
“Esse ambiente auxilia na preparação antes dos jogos. O atleta deixa de lado o estresse desses torneios rápidos, onde cada partida é uma decisão”, declarou o técnico do futsal, Daniel Tavares. “Eles brincam na hora certa e acima de tudo, com muito respeito.”
O convívio no alojamento fica ainda mais intenso quando terminam os jogos, à noite. Nesse período torna-se comum a reunião para longas conversas entre jovens e pessoas mais experientes. É nesse momento que o esporte passa a funcionar como instrumento de inclusão social.
“Temos um convívio saudável, sem nenhum tipo de problema. Pelo contrário, conversamos, nos divertimos e trocamos experiências”, disse o jogador de malha, José Antonio Puche, que leva na bagagem para Praia Grande a medalha de bronze.
Amizades - Para os mais novos, a satisfação por integrar a delegação e participar dos Regionais é evidente. Eles também destacam o prazer de fazer novas amizades. Para a enxadrista Israela Morais Kullme, de 11 anos, as vitórias ficarão guardadas na memória, mas os novos amigos também não serão esquecidos jamais. “Após os jogos, conversamos muito e acabamos fazendo novos amigos. Conhecemos muita gente. Claro que também fizemos muita bagunça no alojamento”, confessa, rindo.
A maioria dos atletas procurou gravar como pôde os momentos considerados especiais. Máquina fotográfica sempre em punho, não perdiam um lance nos dormitórios, no refeitório, nas partidas.
Pivô do time de basquete masculino, Antonio Fernandes, o Mãozinha, não perdeu uma oportunidade sequer de interagir com os demais atletas. Durante muitas noites, o atleta se tornou o “saco de pancadas” da equipe masculina de xadrez em divertidas e demoradas disputas. “Jogo xadrez e eles me convidaram para um desafio. Eles são bons, mas estou chegando lá.”
A integração também se estendeu aos atletas das modalidades para pessoas portadoras de deficiência (PPD). Como as competições têm menor duração, os grupos da natação e do atletismo permaneceram por pouco tempo no alojamento, mas o suficiente para merecerem admiração de todos.
Nos primeiros dias, quando os nadadores das provas para PPD chegavam com as medalhas conquistadas, eram aplaudidos de pé por quem estivesse no saguão da escola. “Recebemos a mesma atenção e admiração. O esporte proporciona essa igualdade. O ambiente que encontramos aqui nos fez bem”, comentou o dono da medalha de ouro no lançamento do disco PPD, Mario Ferreira de Queiroz.
Vaidade – O cotidiano das mulheres que defendem Praia Grande também chama a atenção. A vida no alojamento durante as competições faz com que a vaidade fique em segundo plano. Mesmo assim, há quem resista e mantenha, ou pelo menos tente, os hábitos e manias adotadas quando se está em casa.
“Antes de vir, procurei fazer um penteado que pudesse resistir durante esses dias. Mas o que não pode faltar de jeito nenhum é um batom e lápis para os olhos. Ah, o brinco não usamos nos jogos, mas depois...”, disse a ponta esquerda do handebol feminino, Grazielle Rocha Gomes, que fez questão de revelar o segredo do time para manter a boa aparência. “Todas nós decidimos trazer um espelho grande. A tática deu certo”, brinca.
Grazielle passou por alguns problemas em seu dormitório, compartilhado com mais 17 companheiras. “Até que conseguimos sobreviver. O grande problema está na bagunça. O grupo tem meninas organizadas e desorganizadas que entram em conflito.”
Lazer – Os técnicos procuram colocar seus atletas em regime de concentração. Desta maneira, não existe possibilidade fugas para baladas. Um passeio rápido na rua, um sorvete comprado na cantina e só. Dentro da escola, os programas de variedades e filmes na televisão também ajudaram a divertir a turma.
Algumas equipes levaram filmes em DVD e disputavam o aparelho para reprodução como se fosse uma medalha de ouro. A sessão ficava restrita ao grupo da respectiva modalidade, proibindo assim a entrada dos chamados “bicões”.
O time de futebol masculino bem que tentou criar nova opção de lazer, mas esbarrou na própria falta de atenção. O elenco trouxe televisão, vídeo game e o jogo de futebol para praticar, ainda que de forma virtual. Só não contavam com um pequeno detalhe.
“Gustavo, lateral direito, responsável pela televisão, não trouxe o controle remoto e com isso não conseguimos mudar a função do aparelho. Tanto trabalho em vão”, lamentou o reserva da posição, Rildo.
Calouros – Para determinados atletas, esta edição dos Jogos Regionais já ficará gravada na memória como o ano em que foram obrigados a servir, no que for preciso, aos veteranos. Não foram poucos os trotes, principalmente os aplicados pelas meninas do handebol e do vôlei.
“Essas brincadeiras fazem parte da história dos jogos. A prática de pintar o companheiro que participa pela primeira vez se confunde com a própria competição”, declarou o chefe da seção de esportes de rendimento da Secretaria de Juventude, Esportes e Lazer, (Sejel) Paulo Ramos.
Os calouros eram obrigados a pegar suco, tirar o prato sujo da mesa, levar água à noite para o dormitório, entre outras atividades. Os veteranos ordenavam aos gritos suas vontades, cumpridas à risca, sem reclamação.
“Sempre contarei o que aconteceu nessa minha primeira participação. Só não gostei de ser calouro. Mas tudo bem. No ano que vem, darei o troco nos novatos. Mandarei em todo mundo e terei minhas vontades atendidas”, disse o enxadrista, Rafael Menezes Junior. Apesar de ter apenas 12 anos, Rafael já começa a projetar o futuro, como o mais novo veterano da delegação de Praia Grande para os Jogos Regionais. Claro, apenas no ano que vem.
