Usafas atenderão pessoas com transtornos psiquiátricos

Experiência será repetida com outras especialidades

Por Pablo Solano | 2/1/2007

Até o final deste mês, a Coordenação Municipal de Saúde Mental iniciará a descentralização da atenção psiquiátrica, responsabilizando os médicos generalistas das Unidades de Saúde da Família (Usafas) por tratamentos de menor complexidade e incluindo familiares de pacientes no atendimento terapêutico desenvolvido no Centro de Atenção Psicossocial (Caps).

A Sesap também pretende repetir esta política para todos os serviços de especialidades: o Centro de Referência para Tuberculose e Hanseníase; o Núcleo de Reabilitação Física e Mental Henry, que trabalha com crianças e adolescentes portadoras de necessidades especiais; e o Serviço de Assistência Especializada, voltado para o tratamento de portadores de HIV e hepatites virais. Posteriormente, o Centro de Especialidades Médicas e Ambulatoriais e Social (Cemas) passará pelo mesmo processo.

“Já capacitamos todas as equipes que atuam dentro do Programa Saúde da Família (PSF) sobre o atendimento psiquiátrico básico”, explica a coordenadora de Saúde Mental de Praia Grande, a psicóloga Dorian Rojas. “Os médicos generalistas, que já acompanham os pacientes e as respectivas famílias, terão condições de atendê-los e, com isso, reforçar a reinserção deles na comunidade.”

Com esta política, a Sesap pretende abrir mais espaço no ambulatório psiquiátrico para os casos mais graves. Dorian coloca esse fato como resultado do amadurecimento dos contatos das equipes do PSF com os profissionais que atuam nos serviços de especialidades.

Semanalmente, os médicos e enfermeiras que atuam nas Usafas participam de capacitações de quatro horas com especialistas da rede de Praia Grande ou de outras instituições e localidades.

Com a descentralização do atendimento, a Sesap acredita que as famílias terão mais condições de participar da reintegração social dos pacientes, já que serão tratados na comunidade onde vivem.

“Para o Sistema Único de Saúde ser colocado em prática é preciso uma mudança de mentalidade dos profissionais. Muitos de nós fomos formados para atender individualmente; só que fazemos parte de um atendimento sistêmico, envolvendo outras pessoas”, afirma a psicóloga Dorian.

Famílias – Encarregada de desenvolver atividades para descentralizar e integrar as unidades de especialidades da Sesap, Dorian foi responsável pela promoção de um curso sobre atendimento às famílias para os profissionais deste setor. “As famílias fazem parte do tratamento, parte da melhora e também do adoecimento.”

A Coordenação de Saúde Mental também será responsável por uma experiência neste sentido, este ano, quando se pretende a integração das famílias no tratamento terapêutico dos pacientes. Atualmente já existem grupos de orientação voltados às famílias dos atendidos no Caps. Além disso, busca-se inserir os pacientes em programas das secretarias de Promoção Social e Educação.

Para Dorian, as políticas de descentralização e inclusão das famílias são conseqüências da consolidação do Caps como espaço para atenção psiquiátrica em Praia Grande. A unidade atualmente atende cerca de 220 pacientes.

Sociedade civil – Para este ano, a Coordenação de Saúde Mental também pretende desenvolver mais parcerias com a sociedade civil. No ano passado, a Associação Comercial e Empresarial de Praia Grande abriu espaço para os usuários do Caps apresentarem seus trabalhos de artesanato. Além disso, uma loja no bairro do Boqueirão colocou à venda os mesmos produtos

Os interessados em promover parcerias com a coordenação podem entrar em contato pelo telefone (13) 3473-4990. O endereço é Rua Cidade de Santos, 89, Boqueirão. No local existe um bazar que vende produtos produzidos nas atividades do Caps.

Descentralização – O secretário de Saúde de Praia Grande, Eduardo Dall´Acqua, explica que o processo de descentralização acontecerá paulatinamente. “Manteremos os serviços de especialidades. Mas estamos capacitando os médicos generalistas a executarem o atendimento básico em várias áreas.”

O planejamento a longo prazo prevê a divisão territorial dos especialistas, permitindo que se responsabilizem pela população acompanhada em Usafas e multiclínicas, processo conhecido como adscrição. Com isso, esses profissionais também terão a tarefa de orientar o trabalho dos generalistas.