Aída dos Santos, exemplo de luta e determinação
Atleta é mãe de Valeskinha, integrante da Seleção Brasileira de Vôlei
10/6/2008
Carol Binato sob supervisão do jornalista Pedro Sbravatti MTB:35.768
Das pistas de atletismo para as quadras de vôlei. Aos 71 anos, Aída dos Santos, quarta colocada na categoria salto em altura dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964, demonstra ainda muita disposição para praticar esporte. Dona de títulos marcantes como saltadora, Aída retornou para a modalidade que deu início à sua vitoriosa trajetória no esporte. A veterana faz parte da equipe do Rio de Janeiro que participou do 13º Campeonato Brasileiro de Vôlei Master, sediado em Praia Grande e com encerramento para esta quarta-feira (11).
Atualmente, pratica as técnicas que ensinou para sua filha, Valeskinha, integrante da Seleção Brasileira de Vôlei que disputará a Olimpíada de Pequim, em agosto.
A paixão de Aída pelo esporte começou cedo e se engana quem acredita que o sentimento teve início no atletismo. “Treino vôlei desde a época da escola. Uma amiga que praticava salto em altura me dava carona de bicicleta até a quadra”, conta.
Foram os convites da colega que levaram Aída para as pistas. “Já no primeiro treino saltei 1,40 metros e me aproximei do recorde estadual, que era de 1,45 metros”, prossegue.
No entanto, nem tudo foi alegria na vida esportiva de Aída. Os problemas financeiros e o preconceito do pai atrapalharam a ex-saltadora. Para não passar fome, Aída usava o dinheiro das passagens que recebia do clube para comprar pão e realizava os treinos em casa. “Meu treino era carregar lata d’água no Morro do Arroz, em Niterói. Eu ganhava títulos mesmo sem praticar os trabalhos técnicos”, revela.
Em sua primeira competição, Aída bateu o recorde estadual e conquistou o título. “Quando cheguei em casa com minha primeira medalha, apanhei do meu pai. Ele dizia que pobre tinha que trabalhar para sustentar a família e que medalha não enchia a barriga de ninguém”, relembra.
Por ser mulher e negra, a atleta superou barreiras também fora do ambiente familiar. “Durante a Olimpíada de Tóquio, competi sem uniforme e técnico. As sapatilhas eram para provas de 100 metros rasos e foram doadas por um amigo”, explica.
Apesar das arbitrariedades e da falta de dinheiro, a competidora alcançou o quarto lugar da modalidade salto em altura, com a marca de 1,74 metros. A mãe de Valeskinha, considerada a principal bloqueadora do Grand Prix de Vôlei Feminino de 2002, detém o melhor resultado em competições individuais na categoria feminina do atletismo nacional em Jogos Olímpicos até os dias atuais.
Além da Olimpíada em território japonês, Aída conquistou medalhas de bronze na modalidade pentatlo nos Jogos Pan-Americanos de 1967, em Winnipeg (Canadá), e em 1971, Cali (Colômbia).
Vôlei Master – O nome de Aída para competir no master de vôlei foi mencionado durante partida de sua delegação atual, Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul. “As meninas do Rio de Janeiro nem imaginavam que eu jogava vôlei. As damas sulistas falaram de mim e, então, fui convidada para integrar a equipe carioca.”
Aída iniciou na categoria a partir dos 55 anos (Damas de Esmeralda). Desde então já são 11 anos novamente dedicados ao vôlei. “Eu jogo de teimosa. Ajudo o técnico com a parte física e no diálogo com as jogadoras também.”
A atleta recebe todo o apoio da filha, hexacampeã do Grand Prix de vôlei. “A Valeska já atuou como nossa técnica durante uma partida na Finlândia. Foi divertido”, confessa.
Família - Com os três filhos, Aída adotou uma postura oposta ao de seu pai. “Eu os coloquei no esporte não com a intenção de se tornarem campeões, mas sim pelo lazer e saúde. Claro que ver a Valeska defendendo o Brasil e conquistando títulos, medalhas, é uma honra”, orgulha-se.
Fora das quadras, mãe e filha aproveitam os momentos para repassar as técnicas do voleibol. “Eu sempre fiz um treinamento com ela, voltado ao trabalho de base”, diz.
Quando a filha Valeska está jogando, Aída se comporta como uma técnica nas arquibancadas. “Fico jogando junto, gritando as táticas. Dá vontade de entrar em quadra.”
Curiosamente, a história da mãe se repete com a filha. “Como aconteceu comigo, o vôlei foi um acaso na vida de Valeska. Ela começou no clube Botafogo com o atletismo. Pediram para ela bater uma bola (vôlei) e o interesse pela modalidade veio automaticamente.”
Das pistas de atletismo para as quadras de vôlei. Aos 71 anos, Aída dos Santos, quarta colocada na categoria salto em altura dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964, demonstra ainda muita disposição para praticar esporte. Dona de títulos marcantes como saltadora, Aída retornou para a modalidade que deu início à sua vitoriosa trajetória no esporte. A veterana faz parte da equipe do Rio de Janeiro que participou do 13º Campeonato Brasileiro de Vôlei Master, sediado em Praia Grande e com encerramento para esta quarta-feira (11).
Atualmente, pratica as técnicas que ensinou para sua filha, Valeskinha, integrante da Seleção Brasileira de Vôlei que disputará a Olimpíada de Pequim, em agosto.
A paixão de Aída pelo esporte começou cedo e se engana quem acredita que o sentimento teve início no atletismo. “Treino vôlei desde a época da escola. Uma amiga que praticava salto em altura me dava carona de bicicleta até a quadra”, conta.
Foram os convites da colega que levaram Aída para as pistas. “Já no primeiro treino saltei 1,40 metros e me aproximei do recorde estadual, que era de 1,45 metros”, prossegue.
No entanto, nem tudo foi alegria na vida esportiva de Aída. Os problemas financeiros e o preconceito do pai atrapalharam a ex-saltadora. Para não passar fome, Aída usava o dinheiro das passagens que recebia do clube para comprar pão e realizava os treinos em casa. “Meu treino era carregar lata d’água no Morro do Arroz, em Niterói. Eu ganhava títulos mesmo sem praticar os trabalhos técnicos”, revela.
Em sua primeira competição, Aída bateu o recorde estadual e conquistou o título. “Quando cheguei em casa com minha primeira medalha, apanhei do meu pai. Ele dizia que pobre tinha que trabalhar para sustentar a família e que medalha não enchia a barriga de ninguém”, relembra.
Por ser mulher e negra, a atleta superou barreiras também fora do ambiente familiar. “Durante a Olimpíada de Tóquio, competi sem uniforme e técnico. As sapatilhas eram para provas de 100 metros rasos e foram doadas por um amigo”, explica.
Apesar das arbitrariedades e da falta de dinheiro, a competidora alcançou o quarto lugar da modalidade salto em altura, com a marca de 1,74 metros. A mãe de Valeskinha, considerada a principal bloqueadora do Grand Prix de Vôlei Feminino de 2002, detém o melhor resultado em competições individuais na categoria feminina do atletismo nacional em Jogos Olímpicos até os dias atuais.
Além da Olimpíada em território japonês, Aída conquistou medalhas de bronze na modalidade pentatlo nos Jogos Pan-Americanos de 1967, em Winnipeg (Canadá), e em 1971, Cali (Colômbia).
Vôlei Master – O nome de Aída para competir no master de vôlei foi mencionado durante partida de sua delegação atual, Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul. “As meninas do Rio de Janeiro nem imaginavam que eu jogava vôlei. As damas sulistas falaram de mim e, então, fui convidada para integrar a equipe carioca.”
Aída iniciou na categoria a partir dos 55 anos (Damas de Esmeralda). Desde então já são 11 anos novamente dedicados ao vôlei. “Eu jogo de teimosa. Ajudo o técnico com a parte física e no diálogo com as jogadoras também.”
A atleta recebe todo o apoio da filha, hexacampeã do Grand Prix de vôlei. “A Valeska já atuou como nossa técnica durante uma partida na Finlândia. Foi divertido”, confessa.
Família - Com os três filhos, Aída adotou uma postura oposta ao de seu pai. “Eu os coloquei no esporte não com a intenção de se tornarem campeões, mas sim pelo lazer e saúde. Claro que ver a Valeska defendendo o Brasil e conquistando títulos, medalhas, é uma honra”, orgulha-se.
Fora das quadras, mãe e filha aproveitam os momentos para repassar as técnicas do voleibol. “Eu sempre fiz um treinamento com ela, voltado ao trabalho de base”, diz.
Quando a filha Valeska está jogando, Aída se comporta como uma técnica nas arquibancadas. “Fico jogando junto, gritando as táticas. Dá vontade de entrar em quadra.”
Curiosamente, a história da mãe se repete com a filha. “Como aconteceu comigo, o vôlei foi um acaso na vida de Valeska. Ela começou no clube Botafogo com o atletismo. Pediram para ela bater uma bola (vôlei) e o interesse pela modalidade veio automaticamente.”
