Nutricionista alerta para riscos do consumo de ultraprocessados
Palestra integra o “Abril Verde”, de conscientização sobre segurança e saúde no trabalho
Por: Nádia Almeida MTB: 25.245 | 15/04/2026
Em tempos de excessos – de telas, distrações on-line, exigências sociais e ofertas de comidas rápidas, a adoção de dieta saudável é um desafio que começa na lista de compras. Informação, conscientização e planejamento são essenciais para boas escolhas alimentares, conforme discorreu a nutricionista Cristina de Oliveira Becker na palestra “Alimentação Saudável no Século 21”, para servidores públicos municipais, na manhã desta quarta-feira (dia 15), no Auditório Jornalista Roberto Marinho, ao lado do Paço Municipal, bairro Mirim.
Promovida pela Divisão de Treinamento e Capacitação da Secretaria de Administração (Sead), a palestra integra a programação alusiva ao “Abril Verde”, mês de conscientização sobre segurança e saúde no trabalho. A palestrante é ligada ao Serviço Social do Transporte e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest Senat), por meio de acordo de cooperação com a Prefeitura de Praia Grande.
Pós-graduada e especialista em Nutrição Esportiva Funcional, Cristina Becker destacou que é preciso se organizar para dispor de refeições nutritivas e variadas à mesa. “A escolha começa no supermercado. A gente precisa fazer uma programação, elaborar uma rotina e adotar estratégias, como o pré-preparo”, aconselhou, citando que 50% do prato deve ser constituído por verduras e legumes, 25% de carboidratos e 25% de proteína. “Pequenas mudanças fazem grandes diferenças.”
A nutricionista fez um alerta sobre conteúdos de redes sociais que espalham desinformação, como dietas milagrosas, modismos e fake news. “As dietas divulgadas pelas redes sociais não são para todo mundo. Mesmo o jejum intermitente tem que ser feito com seriedade, é preciso haver uma adaptação do organismo, não ser feito do nada”, observou, enfatizando a importância da busca por orientação profissional, caso a caso. “A nutrição funcional considera o paciente como um todo em sua individualidade bioquímica.”
Banir gordura, carboidrato e sal da alimentação não traz bons resultados, pois, como ela esclareceu, o corpo precisa de variedade e equilíbrio de nutrientes. “Reduzir o consumo não é excluir. Uma dieta low carb não é de zero carboidrato, mas baixo consumo, optando-se por carboidratos complexos”, advertiu.
Os presentes tiveram oportunidade de fazer perguntas e esclarecer dúvidas, entre as quais sobre diferentes características de produtos e alimentos, como, por exemplo, as chamadas gorduras trans, marcantes em salgadinhos artificiais e biscoitos recheados, e gorduras saudáveis, presentes em oleaginosas, certos peixes e frutas, como coco e abacate.
ARMADILHA - Os ultraprocessados, com a promessa de aliar praticidade e economia, podem ser uma armadilha para a saúde, segundo ela, pois as formulações industriais abusam de compostos sintetizados em laboratório e aditivos que realçam o sabor. “Eles estimulam a palatabilidade para o vício”, ressaltou, recomendando que se aprenda a ler os rótulos das embalagens e até baixar aplicativo que ajuda a traduzir as formulações do que se compra. “Devemos priorizar alimentos in natura e evitar os ultraprocessados, comendo com regularidade e atenção.”
Valorizar a cultura alimentar foi outro destaque. Tanto em mercados como em feiras-livres há várias opções de produtos da região e estação. “Estamos na frente do mar e o consumo de peixes é baixo”, pontuou, citando o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, como fonte de informação. “Também é bom optar por alimentos de época, com os melhores preços possíveis.”
Segundo a diretora da Divisão de Treinamento e Capacitação, Camila Mariane, a palestra reuniu 87 servidores, sendo realizada em parceria com a Seção de Segurança do Trabalho. “O objetivo é ampliar conhecimento e incentivar hábitos saudáveis entre os servidores”, salientou. “O tema é um assunto muito atual, que dialoga com a rotina marcada pela correria, praticidade e, muitas vezes, por escolhas alimentares pouco equilibradas.”
Ao final do evento, o público pode aferir pressão arterial e receber brindes pelo Sest Senat. Refletindo sobre a importância das informações recebidas, a professora Ana Paula Monteiro pretende encontrar formas de seguir as orientações, mesmo que tenha que adequar rotinas. “O bom é trabalhoso”, pontuou.
