Projeto de ginástica cerebral em PG estimula a cognição e a coordenação motora dos pacientes

Agente comunitária de saúde desenvolve atividade em encontros semanais na Usafa do Forte

Por: RODRIGO HERRERO MTB: 46.260 | 20/05/2026

Fotos: Jairo Marques

Com uma população majoritariamente idosa, o Bairro Canto do Forte tem algumas peculiaridades. E a agente comunitária de saúde Andréa Cristina Sividanis Inada, com 15 anos de profissão, percebeu as necessidades de seu público. Entre elas, problemas com a memória para tarefas simples, como lembrar onde estão as chaves de casa ou o horário correto para tomar o medicamento.

 

E diante desse desafio, ela estudou sobre o tema e, ao longo dos anos, desenvolveu uma atividade conhecida como ginástica cerebral. Tratam-se de encontros semanais realizados na Unidade de Saúde da Família (Usafa) Forte em que a ACS busca estimular a cognição e a coordenação motora dos pacientes, trazendo melhorias para a saúde.

 

As atividades acontecem há três anos e atualmente conta com duas turmas. O encaminhamento para o grupo é feito a partir da análise da Andréa em relação aos pacientes da sua equipe de saúde da família e por encaminhamento de outras colegas ACS, além de indicação médica após avaliação clínica. Andréa está aprofundando seus conhecimentos por meio de uma faculdade de gerontologia, o que tem ampliado ainda mais os horizontes acerca do envelhecimento cerebral e qualificado ainda mais as aulas.

 

“Quando comecei a trabalhar como ACS percebi que na minha área tem muitos idosos e fui recebendo nas visitas domiciliares muitas queixas de esquecimento e também relatos de depressão e solidão, desejos de fazer alguma atividade. Então eu fui atrás de estudar isso em São Paulo, conheci iniciativas que abordavam o assunto há 20 anos e ainda nem tinha esse nome de estímulo cognitivo. Mas fui atrás das pessoas que conheciam a matéria do Alzheimer e dentro desse assunto consegui um grupo que fazia algumas atividades para retardar o processo da doença. Após a pandemia da covid-19 eu retomei esse trabalho e comecei a aplicar nos pacientes da unidade”, conta Andréa.

 

A profissional de saúde desenvolve atividades de percepção, atenção, foco, comandos, memória, coordenação motora, percepção visual e espacial. Os participantes fazem práticas que envolvem a escrita, meditação, dança na cadeira, entre outras, e ainda levam tarefas para casa, com elementos que ajudam a memorizar e a trabalhar a atenção e o foco. Entre os benefícios, ela destaca a retomada adequada do tratamento medicamentoso e também a melhora de aspectos sociais e emocionais dos participantes.

 

“As atividades têm impactado positivamente na saúde deles, pois ouço relatos de pacientes que, após algumas técnicas que desenvolvemos, passaram a se lembrar de tomar o remédio, fazendo um bom tratamento. A gente fica muito feliz de ouvir isso, é muito gratificante”, relata Andréa . “A gente percebe também uma melhor socialização. Eles ficam super engajados, tem uma turma que combinou e foi junta ao baile, mandou para mim fotografias do encontro. É muito bom! Em outros casos já ouvi de aluna que não saia da cama, mas, após os estímulos das nossas aulas, frequenta nosso grupo, já está fazendo pintura, vai ao Conviver. Cada vez que você estimula o cognitivo você evita um potencial acamado”, complementa.

 

Um exemplo vivo do benefício que os encontros semanais da ginástica cerebral têm proporcionado é a aposentada Acácia Romer, 73 anos. Participante do grupo há cerca de um ano, ela tem colhido os frutos das práticas em vários aspectos do cotidiano.

 

“O grupo é ótimo, porque especialmente nos 70+ a memória vai indo embora, então, as dicas que a Andréa dá ajudam a você pensar, como pensar, tenho utilizado várias dicas, tentado fazer um momento de parar e fazer uma mentalização, tentar me desligar, não ficar pensando em outras coisas, me focar naquilo que estou fazendo. Estou tendo que reaprender o horário para dormir, pois eu trabalhava com eventos e ia dormir muito tarde. Mas tenho seguido as dicas dela para dormir bem e tenho conseguido dormir mais cedo. E também tem ajudado a ter atenção aonde a gente põe a chave, o celular, o carregador, para não esquecer”, afirma Acácia.