Técnicos Desportivos da Seel realizam curso de primeiros socorros
Capacitação atende legislação em vigor
14/04/2026
Em uma iniciativa da Secretaria de Esportes e Lazer (Seel), em parceria com o Conselho Regional de Educação Física (CREF4/SP), está sendo realizado em Praia Grande, dentro do Programa de Desenvolvimento Ciclo do Conhecimento, curso de primeiros socorros destinados aos profissionais da secretaria.
A ação tem caráter de segurança na atuação dos profissionais atendendo a Lei 13.722 (Lei Lucas) proporcionando uma maior qualidade na atuação dos técnicos pedagógicos desportivos (TPD).
O responsável pelo curso é o profissional Ednei Fernando dos Santos, bombeiro militar, enfermeiro e graduado em Educação Física, que destaca a importância desta inciativa. “Uma vez que o profissional tenha esse conhecimento de primeiros socorros, ele consegue prestar atendimento de forma correta, eficiente, inclusive salvando vidas”.
Ednei ressalta que no ambiente esportivo existem riscos naturais, exigindo uma segurança maior na atuação dos profissionais para que, em caso de uma necessidade, o profissional realize o procedimento correto, salvando uma vida ou ajudando diante de uma lesão para não agravar o problema.
O conhecimento de como proceder corretamente é uma qualificação indispensável na qualidade do atendimento, destaca Ednei. “O respaldo técnico desse profissional diante de um socorro de emergência é essencialmente fundamental porque estamos falando de vidas e nós estamos falando da essência de anteder alguém que está precisando de ajuda”.
A falta de conhecimento pode interferir no atendimento de socorro quando as pessoas se deparam com uma situação emergencial até a chegada do socorro especializado podendo ocasionar comprometimento sérios à vítima.
Neste ano de 2026, a Federação Paulista de Futsal exige em seu regulamento das competições que o profissional que atua na função de massagista, obrigatoriamente, possua este curso de primeiros socorros como formação.
Este é um primeiro passo mostrando a responsabilidade que a qualidade de prestação de serviço exige destes profissionais e para aquelas pessoas que possam se tornar vítimas de situação de emergência.
Curso - O treinamento é realizado em dois dias com abordagem dos princípios, conceitos e das principais mudanças que ocorreram recentemente.
O palestrante Ednei explica. “Estou trazendo toda a atualização que nós temos atualmente realizando exercícios práticos. Trouxemos uma grande quantidade de materiais para que os envolvidos executem na prática”.
A iniciativa de atividade prática tem o objetivo não só de gerar capacitação, mas também a habilidade dos profissionais para que possam prestar um atendimento onde ele possa se sentir seguro.
Dentro da capacitação está sendo feita abordagem de algumas emergências clínicas como por exemplo, desmaio, crise convulsiva, enfarto, acidente vascular encefálico e uma abordagem traumática. Ednei destaca entre estas abordagens as fraturas como trauma na coluna, entorse e luxação. “Falamos também da concussão na qual existe um protocolo da FIFA relacionado à concussão cerebral ao impacto de cabeça”, destacou Ednei.
Contusões mais comuns - Entre os destaques do curso estão os atendimentos mais comuns que acontecem dentro das atividades esportivas como luxações, entorses, seguidos da concussão. Essa preocupação vem gerando nas federações uma cartilha de atendimento que teve início com a FIFA.
O palestrante destaca que os profissionais que atuam com os atletas precisam entender o que é uma concussão e também saber tratar e prevenir sequelas de uma concussão cerebral, que é aquela de impacto direto na cabeça e que pode gerar algumas lesões internas naquele primeiro momento e que não podem deixar de ser observadas.
A média de tempo que exige necessidade de atualização dos protocolos de atendimento é a cada cinco anos dependendo da área de emergência. Assim, todos os profissionais devem estar preparados. A Lei Lucas exige atualização a cada dois anos.
Lei Lucas - A Lei Federal nº 13.722, de 4 de outubro de 2018, conhecida como “Lei Lucas” tornou obrigatória a capacitação e/ou a reciclagem em noções básicas de primeiros socorros de professores e funcionários de estabelecimentos de ensino público e privados de educação básica e de estabelecimentos de recreação.
A Lei surgiu devido a trágica morte de Lucas Begalli, de 10 anos, que sofreu asfixia durante uma excursão escolar. O episódio poderia ter sido evitado caso houvesse alguém capacitado para prestar atendimento adequado quando a criança engasgou com um alimento.
A asfixia mecânica ocorreu em questão de minutos quando Lucas engasgou com um pedaço de salsicha do cachorro quente servido no lanche durante a excursão da escola. Ele não recebeu os primeiros socorros adequados de forma rápida e segura. Ele foi transferido em uma UTI móvel para o hospital, mas acabou falecendo. Ele sofreu sete paradas cardíacas em 50 minutos de tentativas de ressuscitação. Ele era filho único. Inconformada com a morte do filho, Alessandra Begalli, mãe de Lucas, e sua irmã criaram uma página no Facebook divulgando o caso e começaram uma luta por uma legislação para estes casos.
